Como Escolher o Terapeuta ABA Ideal para Sua Família
Encontrar uma equipe ABA adequada para sua família é uma decisão importante. Mais do que buscar um profissional que utilize a Análise do Comportamento Aplicada, é fundamental entender quem são os profissionais envolvidos, qual é a função de cada um e como acontece a supervisão do caso.
Uma intervenção bem estruturada deve considerar as necessidades individuais da criança, os objetivos definidos para o tratamento e a participação da família ao longo do processo.
Neste artigo, vamos explicar quais pontos observar ao escolher uma equipe ABA e como avaliar se a intervenção está sendo conduzida de forma responsável e individualizada.
O que é a terapia ABA?
A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência que utiliza princípios da análise do comportamento para compreender e desenvolver mudanças socialmente relevantes no comportamento.
No contexto do autismo, estratégias baseadas em ABA podem ser utilizadas para ensinar diferentes habilidades, como comunicação, interação social, autonomia e habilidades acadêmicas e de vida diária.
A intervenção deve ser individualizada, baseada na avaliação das necessidades do aprendiz e acompanhada por profissionais capacitados para as responsabilidades que assumem dentro da equipe.
Por que escolher a equipe certa é importante?
Uma intervenção ABA envolve muito mais do que a atuação do profissional que passa mais tempo diretamente com a criança.
Dependendo da organização do serviço, diferentes profissionais podem participar do atendimento, com funções e níveis de responsabilidade distintos. Por isso, antes de escolher um profissional, é importante entender qual será sua função no tratamento e quem será responsável pelo planejamento, acompanhamento e supervisão da intervenção.
Uma equipe bem estruturada deve ter objetivos claros, acompanhamento sistemático, registro de dados e comunicação adequada com a família.
Formação e função na equipe
Antes de avaliar a qualificação de um profissional, é importante entender qual função ele exercerá na intervenção.
Uma equipe baseada em ABA pode contar com profissionais com diferentes níveis de responsabilidade, como ATs/aplicadores, coordenadores de caso e supervisores/analistas do comportamento.
A formação, a experiência e o nível de supervisão necessários devem ser compatíveis com a função desempenhada.
AT / Aplicador
O AT ou aplicador é o profissional que atua diretamente com o aprendiz, implementando os procedimentos planejados pela equipe, realizando registros e coletando dados durante a intervenção.
É importante verificar se esse profissional:
- recebeu treinamento específico para os programas que irá aplicar;
- recebe supervisão sistemática;
- sabe implementar os procedimentos definidos pela equipe;
- registra adequadamente os dados da intervenção;
- consegue comunicar à equipe responsável possíveis dificuldades ou mudanças observadas durante o atendimento.
O AT/aplicador não deve ser apresentado à família como o profissional responsável, de forma independente, pelo planejamento clínico do caso.
Coordenador de caso
O coordenador de caso participa de maneira mais próxima do acompanhamento da intervenção. Entre suas responsabilidades podem estar a organização dos programas, o acompanhamento dos registros, a análise dos dados, o treinamento da equipe e a verificação da implementação dos procedimentos planejados.
Ao avaliar esse profissional, é importante considerar se sua formação e experiência são compatíveis com as responsabilidades que assume e se sua atuação respeita os limites de sua formação profissional.
Também é importante entender como acontece a comunicação entre o coordenador, os demais integrantes da equipe e o profissional responsável pela supervisão do caso.
Supervisor / Analista do Comportamento
O supervisor ou analista do comportamento assume maior responsabilidade técnica pelo planejamento e acompanhamento da intervenção.
Entre suas atribuições podem estar:
- realização ou participação na avaliação comportamental;
- definição e revisão dos objetivos da intervenção;
- análise dos dados coletados;
- tomada de decisões relacionadas ao planejamento da intervenção;
- treinamento e supervisão dos integrantes da equipe;
- acompanhamento da implementação dos procedimentos;
- revisão das estratégias de acordo com a evolução do aprendiz.
Nesse nível de atuação, é especialmente importante avaliar a formação específica, a experiência supervisionada, a atualização científica e a competência profissional para trabalhar com a população atendida.
A família também pode perguntar como o profissional acompanha os resultados e com que frequência os objetivos e procedimentos são revisados.
O que perguntar antes de escolher uma equipe ABA?
Além de conhecer a formação dos profissionais, algumas perguntas podem ajudar a família a compreender melhor como o serviço funciona.
Quem será responsável pelo caso?
Pergunte quem fará o planejamento da intervenção, quem acompanhará os dados e quem será responsável pela supervisão dos profissionais que atuam diretamente com a criança.
Como os objetivos serão definidos?
Uma intervenção individualizada deve considerar as necessidades, habilidades e prioridades de cada aprendiz. Procure entender como os objetivos são escolhidos e de que forma a família participa desse processo.
Como o progresso será acompanhado?
Pergunte quais dados serão coletados, como eles serão analisados e de que maneira a equipe utilizará essas informações para decidir se determinado procedimento deve ser mantido, ajustado ou substituído.
Com que frequência acontece a supervisão?
A supervisão é um aspecto importante da organização de uma equipe ABA. Entenda quem supervisiona os profissionais que atuam diretamente com a criança e como esse acompanhamento acontece.
Como a família participa?
A comunicação com a família deve fazer parte do processo. É importante que os responsáveis tenham espaço para tirar dúvidas, relatar mudanças observadas em casa e compreender os objetivos e procedimentos utilizados na intervenção.
Como avaliar a equipe depois do início da intervenção?
A escolha não termina quando as sessões começam. Ao longo do tratamento, a família pode observar diferentes aspectos da intervenção.
Preste atenção em pontos como:
- a criança está sendo tratada de maneira respeitosa e individualizada?
- os profissionais conseguem explicar os objetivos da intervenção?
- existe acompanhamento sistemático dos dados?
- a equipe mantém uma comunicação clara com a família?
- os profissionais demonstram abertura para revisar estratégias quando necessário?
- existe supervisão adequada dos profissionais que atuam diretamente com a criança?
O acompanhamento contínuo ajuda a família a compreender se a intervenção está sendo conduzida de maneira coerente com os objetivos estabelecidos.
Quando considerar mudanças na equipe?
Se houver dificuldades persistentes na comunicação, falta de supervisão, ausência de acompanhamento dos dados ou dúvidas importantes sobre a forma como a intervenção está sendo conduzida, a família pode conversar com os responsáveis técnicos pelo caso e buscar esclarecimentos.
Quando essas questões não são resolvidas ou quando a família entende que o serviço não atende adequadamente às necessidades da criança, pode ser necessário considerar outras opções.
O mais importante é que a intervenção seja conduzida com responsabilidade, individualização e respeito às necessidades e ao bem-estar do aprendiz.
Conclusão
Escolher uma equipe ABA não significa procurar apenas um profissional com determinada certificação. É necessário compreender a função de cada integrante da equipe, sua formação, experiência, responsabilidades e como acontece a supervisão do caso.
O AT/aplicador, o coordenador de caso e o supervisor ou analista do comportamento podem desempenhar papéis diferentes e complementares. Por isso, a família deve avaliar se cada profissional possui preparação compatível com aquilo que efetivamente realiza na intervenção.
Mais do que buscar um título específico, procure uma equipe que trabalhe de forma individualizada, acompanhe os dados, mantenha uma comunicação transparente com a família e tenha profissionais com formação e experiência compatíveis com suas responsabilidades.
Uma escolha cuidadosa pode contribuir para que a criança receba uma intervenção mais organizada, responsável e alinhada às suas necessidades.
Conheça a trajetória da Psicóloga Vanessa Siqueira.